Como Stalin teria usado o Nazismo para dividir a Europa e implementar o Socialismo


Após o Tratado de Versalhes, que pôs fim a Primeira Guerra Mundial e desmantelou economicamente e militarmente a Alemanha, um novo movimento político se erguia entre a classe proletária Alemã. 
Entre eles, o Austríaco Adolf Hitler, então conhecido pela sua luta junto ao exército Alemão durante a Primeira Guerra e opositor ferrenho do Tratado de Versalhes, ganhou a posição de Chanceler do país, após se destacar como exímio orador do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães com amplo apoio do povo. Não muito tempo depois, Hitler tomaria o controle Ditatorial da Alemanha com um golpe de estado ao então presidente Paul Von Hidenburg, em 1933.

Paralelamente ao que acontecia na Alemanha, surgia também na extinta União Soviética, o Jovem Josef Stalin. Nascido na Geórgia, Stalin se aliou ao Partido Operário Social-Democrata Russo em sua Juventude, sendo um grande seguidor e articulador das angariações de fundos para os Bolcheviques de Lênin, através de roubos, sequestros e redes de proteção. Quando os Bolcheviques tomaram o poder na Rússia durante a Revolução de Outubro, Josef Stalin começou a subir degraus em sua carreira política desde Secretário Geral à Primeiro-Ministro, assumindo o posto de liderança da Nação Soviética, presidindo um Estado Unipartidário Oligárquico. 

O curso da história nos leva a um dos períodos mais sangrentos e lamentáveis da história da humanidade, a Segunda Guerra Mundial.
A Alemanha Nazista de Hitler, tal qual o Socialismo Soviético foram regimes que mataram milhões de pessoas, porém, enquanto a disseminação da ideologia Nazista foi criminalizada na Alemanha e ao redor do mundo, o Socialismo Soviético é aceito livremente e vem se propagando a cada dia, seguindo o modus operandi doutrinário estabelecido por Lênin sobre fundamentos Marxistas.

Embora a história que conhecemos coloque esses dois ditadores em posição opostas, como arquirrivais de intenções diferentes, detalhes de suas relações, mostram planos obscuros em comum.

Uma matéria publicada por Chris Woolf, editor-chefe da Public Radio International (PRI), com o historiador Roger Moorhouse, expõe detalhes sobre um Pacto Nazista-Soviético que marcou tragicamente a história da humanidade :


PACTO RIBBENTROP-MOLOTOV

Com o golpe de uma caneta 75 anos atrás, dois homens mudaram o mundo e selaram o destino de milhões.

Esses dois homens eram o ministro das Relações Exteriores da Alemanha nazista, Joachim von Ribbentrop, e seu colega soviético, Vyacheslav Molotov. Em 23 de agosto de 1939, assinaram um pacto de não agressão, prometendo não interferir caso o outro fosse à guerra.
 Esse anúncio público foi suficientemente chocante: os dois estados totalitários estavam em desacordo há anos. Mas eles também assinaram um segundo acordo secreto que dividia a Europa Oriental entre eles. Esses acordos que mudam o mundo são o tema da "Aliança do Diabo: Pacto de Hitler com Stalin, 1939-1941", um livro do historiador Roger Moorhouse.

"De fato, o Pacto Nazista-Soviético como o pontapé inicial para a Segunda Guerra Mundial é provavelmente o cenário mais surpreendente que qualquer um poderia imaginar", - diz Moorhouse. "É assim que você tem que vê-lo a partir da perspectiva de agosto de 1939. mundo estava absolutamente estupefato com este negócio.”

Esses acordos gêmeos de fato prepararam o terreno para o início da Segunda Guerra Mundial. Dias depois de assinar os pactos, agora confiantes de que os soviéticos não se opunham a ele, Hitler invadiu a Polônia. A Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha e a guerra estava em andamento.

Algumas semanas depois, a União Soviética invadiu a Polônia a partir do leste para pegar sua parte dos espólios*. Em 1940, ocupou a Estônia, a Letônia, a Lituânia e a província romena da Bessarábia. A Grã-Bretanha e a França protestaram, mas com suas forças já enfrentando a Alemanha, não podiam se dar ao luxo de lutar contra Stalin também.


Por um tempo, o pacto funcionou bem e mostrou como os dois estados eram semelhantes.
Nas áreas da Europa Oriental que ocuparam, os nazistas e os soviéticos criaram zonas de ocupação. Moorhouse diz que eles governaram de maneira muito semelhante, visando grupos de pessoas notavelmente semelhantes. Oficiais do exército e oficiais dos antigos regimes, intelectuais, padres e líderes comunitários foram detidos em massa. Milhares foram executados ou deportados para gulags e campos de concentração.
Os nazistas, obviamente, também tinham como alvo judeus, mas muitas pessoas não sabem que muitos judeus fugiram do controle de Stalin também - até mesmo buscando refúgio nas áreas nazistas. Em seu livro, Moorhouse escreve sobre um momento em que dois trens lotados de refugiados seguem caminhos opostos em uma fronteira. Eles ficaram igualmente surpresos que alguém deveria querer ir na outra direção.

Mas, na verdade, Moscou e Berlim se entregaram a enormes transferências de população, cada uma tentando recriar a Europa Oriental em sua imagem preferida. Milhares de alemães étnicos foram transferidos das zonas soviéticas para as alemãs, enquanto milhares de poloneses foram deportados de áreas agora designadas como "alemãs". Outros ainda foram enviados como trabalhadores escravos para a Alemanha. Muitas pessoas simplesmente se mudaram por vontade própria para escapar dos novos estados onde lhes foram negados direitos básicos, e alguns deles acabaram chegando aos Estados Unidos.

A Alemanha nazista e a União Soviética também cooperaram economicamente durante sua aliança depois de 1939. As matérias-primas soviéticas permitiram que os alemães mitigassem os piores efeitos do bloqueio naval britânico, enquanto os soviéticos se beneficiavam das ferramentas e produtos acabados alemães.
Mas o pacto nazi-soviético não durou. No final de 1939, os soviéticos também tentaram invadir a Finlândia. Os finlandeses recusaram-se a rolar. Apesar de serem tremendamente numerosos e desarmados, eles improvisaram uma defesa e fizeram o melhor do terreno e do inverno feroz.

Uma inovação dessa campanha foi a bomba de gasolina, projetada para uso contra os dutos de entrada de ar em tanques soviéticos. Molotov, o ministro das Relações Exteriores soviético, chamou a invasão russa de um movimento "humanitário"; A propaganda soviética chegou a afirmar que as bombas lançadas pelos aviões soviéticos eram ajuda alimentar. Em uma homenagem sarcástica, os finlandeses batizaram suas armas caseiras de "coquetéis molotov", brincando de que deviam tomar bebidas junto com as "refeições" fornecidas pelos soviéticos. No final, os soviéticos sofreram uma perda brutal na "Guerra de Inverno" com os finlandeses.
Os alemães ficaram surpresos com o quão mal os soviéticos realizaram na Guerra de Inverno, uma performance que os fez acreditar que eles poderiam atacar Stalin antes de acabar com os britânicos teimosos no oeste. Em junho de 1941, Hitler atacou. Moorhouse e outros historiadores dizem que Stalin ficou chocado com a invasão e se recusou a aceitar que a notícia era verdadeira, levando a perdas desastrosas do Exército Vermelho nos primeiros dias da guerra.

Quando a União Soviética se recuperou e derrotou os nazistas, Moscou reescreveu a história. O Pacto Nazista-Soviético transformou-se de uma ilusão em uma maneira inteligente de ganhar tempo, o que permitiu que a União Soviética se rearranjasse. A Grã-Bretanha e a América também tenderam a remover o pacto nazista-soviético da história, com medo de prejudicar a narrativa popular da "Grande Aliança" que derrotou os nazistas.
E essa é apenas a metade pública da aliança: a existência do protocolo secreto foi oficialmente negada pela União Soviética até a sua morte em 1989.

A idéia de que Hitler e Stalin teriam ambições semelhantes, também é defendida pelo escritor e ex-oficial da Inteligência Militar Soviética, Viktor Suvorov. 
Conhecido pelo seu Best-Seller "Icebreaker", em Português "Quebra-gelo: Quem iniciou a Segunda Guerra Mundial ?" Viktor afirma em seu livro que o líder soviético Josef Stalin usou a Alemanha nazista como um "quebra-gelo" para iniciar uma guerra na Europa que permitiria a entrada da União Soviética e assumir o controle de todo o continente Europeu.
Suvorov ainda relata em suas palestras, a perspicácia que Stalin teve de se aproveitar da revolta e ganância do então jovem Hitler em implementar seus ideais socialistas pela Europa, ainda enquanto era apenas um orador de seu partido numa Alemanha desmoralizada, para dar todo respaldo bélico e político que o gabaritasse como líder nacional à frente de um exército reformado para atacar a Europa, fazendo o trabalho sujo, enquanto o ditador comunista, isento de culpa, tomava posições estratégicas implementando o comunismo stalinista pelo continente.

Segundo Suvorov, a Polônia, foi a grande jogada do Russo :
Ribbentrop foi a Moscou no dia 23 de Agosto, o motivo desta viagem seria selar a divisão da Polônia em dois, em um acordo de ataque mútuo, tendo Hitler assim um aliado em uma possível crise diplomática mundial. 
Com o acordo firmado e ataque planejado em uma semana, Hitler avançou sobre a Polônia, enquanto Stalin permaneceu isento, o que gerou a Alemanha a única e exclusiva culpa pelo ataque, despertando a contra-ofensiva de nações como a França, Reino Unido e Estados Unidos.
Viktor ainda diz que, o fato de os Soviéticos terem, com a ajuda dos aliados, tomado a Alemanha, os colocaram, do jeito que Stalin queria, como os heróis na história. Seriam algumas das características da filosofia militar de Lênin : provocar divisões, criar inimigos em comum e deixar que eles se destruam, para conquistar com maior facilidade.
Ainda que tenham havido imprevistos no caminho, como o ataque de Hitler a USSR, Stalin teria contido a investida do Exército Alemão com o maior contingente militar, que inferiormente armados, foram usados como escudos humanos para reter o avanço das tropas.

A publicação, exposição de documentos e declarações sobre os pactos envolvendo Hitler e Stalin são proibidas na Rússia, como relatou a revista Intelligencer, da New York Magazine e o jornal Washignton Post, mas Historiadores como Suvorov e Moorhouse tem difundido a verdade por trás da motivação da Segunda Guerra Mundial pelo mundo através dos seus livros e palestras. 

Fontes : 

O Grande Culpado: O Plano De Stalin Para Iniciar A Segunda Guerra Mundial - Viktor Suvorov (2010)
Icebreaker - Who Started the Second War ? (English Edition)  - Viktor Suvorov (2012) 
The Devils' Alliance: Hitler's Pact with Stalin, 1939-1941 - Roger Moorhouse (2014)
O Lobo e a Hiena – O plano para a conquista da Europa - Rui Silva (2017)


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2 Comentários

  1. Pela tese só não houve a aplicação certa do termo comunismo, né?
    Mas tudo bem acho que só 10% da população devem realmente saber diferenciar Socialismo de Comunismo;
    E apesar desses acordos meu caros, Hitler nunca aceitaria uma formal aliança com o Socialismo Soviético, assim como já afirmará em seu livro "Mein Kampf" socialista bom é socialista morto...

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    1. O artigo se refere sobre a perspicácia que Stalin teve a princípio em usar a disposição de Hitler em causar um racha na Liga das Nações, atacar alguns países da Europa e causar justamente um embate entre as potências, enquanto ele vinha colhendo os espólios e implementando o Socialismo Stalinista pela Europa. Hitler poderia até não querer uma união com a USSR, agora se Stalin esteve em algum momento ciente ou não, o fato é que o plano de Stalin sempre foi usar o Hitler.
      Além do mais, Hitler só se diferencia de Stalin no Socialismo, nas vertentes do Socialismo Soviético, mas ambos eram Socialistas.

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